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Gabriel Paz
MENSAGENS : 12

REPUTAÇÃO : 10

[TEXTO] Cavalheiros fiquem com essa obra prima.

em 3/7/2017, 19:44
Reputação da mensagem: 100% (8 votos)
Bravos trago-lhes este texto que salvei no facebook há muito tempo.


É LONGO MAS VALE A PENA!


(Prólogo)
>seje eu!
>21 aninhos, pivete ainda
>formado no CFAP ( Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, em tailandês )
>carteira na mão, pistola no coldre
>feels like atirar em vagabundo
> polícia militar do estado do rio de janeiro, abre aspas
> FÁBRICA-DE-BUCETA
>era 06 de turma, então pude escolher pra qual batalhão eu iria
>lembre-se disso
>escolhi o 23º BPM
>leblon, ipanema, gávea, são conrado
>mais tranquilo que isso só a casa da sua avó agora que ela parou de fazer suruba
>na hora da formatura, tava lá minha coroa
>batalhadora, ralou pra caralho pra me dar um futuro
>chorou vendo o filho formado com aquela farda azul
>os olhos começaram a suar o mais masculino dos suores
>depois do toque da corneta, abracei a velha, olhei pra ela e falei:
> '' agora vai ser tudo diferente mãe ''
>ela abriu um sorrisão emocionado que faria até os olhos do capeta lacrimejarem
> '' agora vai ficar tudo bem ''

( Parte I )
>século x=(√4.10^3)+5^2-3^3 ( faz as contas, otário )
>adivinha só, vacilão?
>não ficou tudo bem
>um ano depois da minha formatura, a coroa desenvolveu uma doença
>cardiopatia reumática
>levei ela no HCPM, mas não tem recurso nem pra cuidar dos pms baleados
>imagina pra porra da minha mãe
>não teve jeito
>fui levando de clínica em clínica, buscando ajuda
>cada diagnóstico era pior que o anterior
>um dos médicos (o que mais passou confiança), disse que seria necessária uma cirurgia
>não vou falar o valor, basta dizer que era o suficiente pra tirar sua mãe, suas irmãs, suas tias e até seu avô da prostituição
>eu tinha um ano para conseguir a grana e pagar o tratamento dela, senão já sabe né?
>eis que eu tava lá, me sentindo um merda
>blitz 7h da manhã, só pra fuder trabalhador mesmo
>paro um carro com os vidros escuros
>peço a documentação
>o cidadão, cheio de marra, joga duas notas de cem no meu peito e pergunta se estamos entendidos
>o dedo do gatilho chega a coçar
>o procedimento é claro, tentativa de suborno, era deslocar para a delegacia e manter sob custódia do delegado
>olhei pra nota
>pensei em enfiar a mão na cara daquele babaca
>pensei em encher o filho da puta de porrada
>pensei na coroa, deitada na cama sem poder trabalhar
>puta que pariu
>como disse Aristóteles '' ou você se omite, ou se corrompe, ou vai pra guerra ''
>me corrompi
>peguei as notas e fiz sinal pra ele ir embora
>o babaca fez questão de dar aquele sorrisinho convencido
> vaisefuder.rar
>daria pra comprar remédios pra velha, aliviar um pouco o sofrimento
>engoli minha raiva e fui pedir permissão pro sgt pra ir comer alguma coisa
>ele faz cara de cu, mas a comida do rancho é uma merda e ele também tava com fome
>traz duas coxinhas e um mate com limão pra mim ô seu viado, disse o tal
>maldito sgt barrigudo, cansou de dar prejuízo em pizzaria
>fui no boteco comprar o maldito lanche para nós e, pelo caminho, tinha que passar por debaixo de um viaduto
>o lugar ali era carinhosamente chamado de beco da maldade, porque quem passava sempre perdia alguma coisa
>não deu outra, eu tava me aproximando quando vi uma depósito 8/10 vindo na direção oposta
>quando tava logo abaixo do viaduto, dois pivetes já enquadraram ela
>um com uma pedra na mão, uma PEDRA
>por um momento quis encher os dois de chumbo
>mas eu já sabia que se fizesse isso minha cara estaria estampada no mesmo dia lá no RJ TV
>''policial mata duas vítimas da sociedade ''
>não quero ser preso
>não posso ser preso
>com o cacetete na mão, chego na encolha para eles não me verem
>os imbecis tavam ocupados demais catando a bolsa da menina para repararem em mim
>a cacetada que eu dei na nuca do primeiro foi tão forte que ele desmaiou na hora
>acertei uma no outro, mas o pivete correu mais que trinta nordestinos atrás de rapadura e conseguiu se evadir do local
>fui segurar o gansinho que eu tinha colocado pra dormir, quando vi a menina desesperada
>congelou de medo, coisa comum
> '' eles conseguiram levar alguma coisa? ''
> ''não senhor '' ela respondeu baixinho
> '' senhor tá no céu, pode me chamar de Costa '' falei, levantando o vagabundo na marra
> '' tem que tomar mais cuidado quando andar por aqui, é perigoso, procura andar em grupo ''
> '' eu sei, não costumo pegar esse caminho, é que hoje eu tive que vir de ônibus pra faculdade e não sabia chegar lá sem ser por aqui ''
>nessa hora me liguei que a patricinha era estudante da PUC
>aquele tipinho que abraça árvore, fuma maconha e faz sarau
>beijaço fora temer, sexo anal contra o capital, marcha pela paz (e contra a policia)
>percebi que a novinha ainda estava congelada e perguntei, um pouco mais impaciente '' você vai ficar aí parada ou o quê? ''
>ela olhou nervosa e começou a gaguejar, falou que era estudante de psicologia e estava fazendo algum trabalho sobre violência
>ela explicou lá o negócio, mas eu estava ocupado demais carregando o pivetinho
>até que ela perguntou '' teria como voce me dar seu whatsapp para eu te mandar um questionário? ajudaria muito no meu trabalho ''
>olhei pra ela, desconfiado
>isso parecia caô, e pm que dá mole leva tiro
>ela reparou na minha indecisão
> '' se você topar, vai receber uma participação no valor de 500 reais ''
> abriu um sorrisinho meigo e meio desconcertado
>não tinha mais o que dizer
>passei meu número e levei ela e o marginalzinho embora do lugar
>cheguei de volta na viatura, e o sgt (vamos chama-lo de bigode) estava lá me esperando, puto
>'' caralho seu viado eu te mando buscar coxinha e mate e tu me trás um ganso dormindo? puta que pariu, bota esse viado no carro e vamo embora logo daqui ''
>fui de lá até o batalhão ouvindo o trololó do bigode
>mas minha mente tava em outro lugar
>tava na novinha, cujo nome eu nem perguntei
>algo de estranho me atraia nela
>algo de diferente

( Parte II )
>o dia tinha começado bem merda
>já fazia mais ou menos uma semana desde o episódio com a depósito lá no viaduto
>quando se é polícia, irmão, essas paradas pra você viram rotina
>ou tu acha que ela é a única mina gostosa que eu já vi em ocorrência?
>cês iam ficar malucos se vissem a quantidade de mina bonita que aparece pedindo ajuda pra policial, com a cara vermelha de tanto apanhar do namoradinho
>mas ela, mesmo não sendo a mais bonita nem a mais cheia de papo (a mina congelou, lembram?), ela me chamou a atenção de alguma forma
>passei a merda da semana olhando o tempo todo pro whatsapp, quase que o bigode me deu uma advertência
>só não me deu porque viu que eu tava no grupo de putaria dos soldados da companhia e pediu pra eu adiciona-lo
>depois do quinto dia eu tinha me estressado, já achava que ela tava só zuando com a minha cara
>mas, depois de exatos 7 dias, a filha da puta mandou a mensagem
>''oi, lembra de mim? rs... sou a Ju, você me ajudou naquele dia e ficou de participar do meu questionário? queria te ver na confeitaria colombo, lá no forte de copacabana, amanhã ''
>filha da puta
>essa maluca me chamou pra comer na confeitaria colombo
>lugarzinho de RYKO
>um salgado é papo de 30 temers
>to fudido
>mas também não vou negar, não vou dar uma de duro
>''saio do serviço às 17:30, te encontro às 18h'' respondi, fria e secamente como um soldado que sou
>sem essas porras de emojizinho, viadagem do caralho
>na minha época era msn, porra
>mas por dentro tava igual um muleque
>fiquei desatento a porra do serviço inteiro, bigode chamou minha atenção de novo
>se eu desse bobeira ia dar merda, militar não pode ficar desatento
>pm então, nem pensar
>cheguei em casa no final do dia morto, abri a porta pra ver como tava minha mãe
>tava deitada na cama, com aquela cara de cansada como sempre, vendo a netflix que eu pagava com muito suor
>me olhou com um brilho nos olhos, como se soubesse que algo ia acontecer
>algo bom
>valoriza tua mãe, maluco. ela sabe da tua vida mais do que você
>foco no gt
>trouxe a quentinha da rua pra ela, e mais os remédios
>era química pesada, exigia muito do corpo dela, mas a coroa era batalhadora
>fui dormir e acordei no dia seguinte com uma disposição que eu já não tinha a muito tempo
>o serviço passou se arrastando, mas dessa vez o bigode não encheu meu saco
>acho que até o velho tinha notado algo de diferente
>mas não falou nada
>terminou o serviço
>igual um maluco eu fui pro ponto de ônibus (ahh bonitão, e tu aí achando que pm tem carro né)
>(bom, ter até tem)
>(mas não eu)
>tinha deixado no alojamento a roupa menos pior que eu tinha, junto com um perfume vagabundo
>ia quebrar o galho
>cheguei no forte um pouco atrasado, e de cara vi a moça lá me esperando
>eram 18h, o sol tava se pondo e ela tomando um suco de laranja
>que cena meu irmão, é aquele tipo de coisa que tu vê e dá vontade de tu escrever uma música mpb de tão bonita que é
>me sentei, meio envergonhado por dentro, mas sempre mantendo aquela pose
>porra, já troquei tiro com vagabundo, não ia ser um rostinho bonito que ia me intimidar
>'' desculpa a demora '', lancei
>ela me olhou de um jeito constrangido e disse que não tinha problema. puxou um notebook de dentro da bolsa e começou a fazer algumas perguntas, coisas básicas tipo nome, idade, bairro, essas paradas assim
>aí chegou uma hora que perguntou pra mim: ''por que você escolheu trabalhar em uma profissão de violência? ''
>porra moça, tá de sacanagem?
>lancei assim mesmo, ela chegou a arregalar os olhos
>tu acha que alguém escolhe ser pm ou ser bandido? tu acha que isso é uma parada que tu decide no terceiro ano do ensino médio?
>o que tu falou é certo, somos homens de violência
>mas isso nasce com a gente
>nasce e morre com a gente
>eu percebi que tinha nascido pra lutar nessa guerra quando eu era moleque
>teve um tiroteio na porta da minha escola, e lembro dos meus coleguinhas deitados no chão chorando apavorados
>e eu enojado com toda aquela viadagem
>não sou super homem e nem tenho peito de aço, mas não vou ficar choramingando se tiver que lutar
>porque a lei da selva é matar ou morrer, e isso ninguém tira do homem
>nós usamos a violência e fazemos barbáries para que outros possam viver vidas confortáveis e tranquilas
>por isso que quando eu to deprimido, eu tento pensar na quantidade de pessoas que estão dormindo tranquilamente, curtindo a vida, namorando, jogando bola, dando risada enquanto eu to de serviço
>porque a vida tem um senso de humor mórbido, e uns tem que sofrer pra outros poderem viver em paz
>quando terminei meu discurso, a mina ficou perplexa
>não conseguia dizer nada
>mas, depois de alguns segundos de tensão (onde eu comecei a me sentir um mongol por ter falado tudo isso), ela abriu um sorrisão
>começou a fazer perguntas e mais perguntas
>e eu respondendo
>mano, sabe o que é tu conversar com uma pessoa que tá genuinamente interessada naquilo que tu tá dizendo?
>que realmente quer ouvir tua história, o que tu pensa, o que tu sente?
>uma pessoa que tu pode se abrir sem ter medo de ser julgado ou perseguido?
>conversamos até anoitecer, eu só notei que estava tarde quando um soldado veio me avisar que o quartel ia fechar
>nós íamos nos despedindo quando ela olhou pra mim e sussurrou no meu ouvido
>''não queria que essa fosse a última vez que nós nos vemos. que tal nos encontrarmos aqui toda sexta nesse mesmo horário? ''
>eu sorri, involuntariamente. '' como se fosse nosso lugar especial? ''
>ela sorriu de volta e me olhou. ''isso. nosso lugar especial'' ela repetiu, e deu um beijo na minha bochecha, quase encostando na minha boca
>deu uma risadinha meio tímida, virou e foi embora
>e eu fiquei olhando, vendo ela caminhar pra longe, até entrar em um táxi e desaparecer nas ruas de copacabana
>''nosso lugarzinho especial''

(Parte III)
>ficamos nessa paumolescência por uns 6 meses
>toda sexta feira, eu ia lá e encontrava a Juliana
>no começo, eu mais ajudava o trabalho dela do que qualquer outra coisa
>trouxe depoimentos de outros policiais, gravações de operações, coisa que ela nunca iria conseguir sozinha
>podia ganhar uma nota vendendo isso pra jornalista da globo, mas preferi dar tudo de graça, na humildade
>a menina era inteligente, nem precisaria de tudo isso pra fazer um trabalho genial, mas com a minha ajuda, a pesquisa dela foi selecionada pelo governo federal e ela ganhou uma bolsa pesquisa que devia dar o dobro do meu soldo
>ela agradecia e insistia em dividir comigo, mas eu sempre recusei
>dignidade, caralho
>no serviço, nada de novo
>serviço sempre calmo, a área do meu batalhão era muito tranquila
>a coroa não demorou pra notar algo de diferente
>porra eu sempre chego em casa com a cara amarrada, e agora tava até falando manso
>''arthur... quando você vai me apresentar essa menina? '' ela perguntou
>'' que menina, mãe?''
>'' você acha que eu sou boba, rapaz? tá chegando em casa tarde toda sexta, com cheiro de mulher e cara de adolescente. ou tá apaixonado ou ficou maluco ''
>dei muita risada com a coroa
>ela lentamente tava melhorando, graças ao esforço que eu tava fazendo pra bancar o tratamento dela
>achei que não teria problema se eu começasse a economizar um pouquinho no dinheiro dos remédios dela
>ia dar as doses com uma frequência um pouco menor, e, com o dinheiro que eu juntasse, eu ia comprar um par de alianças para mim e pra juliana
>sim, eu ia pedir direto em noivado. vai tomar no cu, pedir em namoro é coisa de ensino médio
>óbvio que já estávamos nos pegando
>óbvio que já estavamos metendo
>(rapaz, e aquela patricinha mete muito)
>vê se pode eu pedir a mina em namoro?
>namorada de pm é puta irmão, fiel mesmo a gente pega pra casar
>e era todo dia eu com ela no whatsapp
>bigode já tinha desistido de dar esporro
>agora eu só tirava serviço em lugar cu
>perto de boteco, cheio de bêbado
>guarda de trânsito
>guarda escolar
>caguei baldes
>aquela bucetinha maldita já tinha me enfeitiçado
>quando deu 6 meses exatos, chamei ela pro nosso lugar especial
>o nosso lugar, onde nós podiamos ser quem quiséssemos, podiamos falar o que quiséssemos
>onde passamos tantas e tantas horas juntos
>eu tava usando a mesma roupa que eu usei da primeira vez que fui lá (gosto de fazer essas coisas, pra mim tudo isso tem um simbolismo muito forte)
>não sei se era por causa do nervosismo, mas nesse dia ela me parecia ainda mais linda
>conversamos, como de costume, até que, depois que anoiteceu e o brilho dos prédios começou a refletir no mar como um espelho, eu falei
>'' juliana, eu preciso te contar uma coisa ''
>'' fala, mô '' ela disse, daquele jeito meigo dela
>'' eu sei que você sabe como você fez bem pra mim nesses últimos meses ''
> ''a única pessoa que me conhece de verdade, mais do que qualquer outra ''
> '' a única pessoa com quem eu posso realmente me abrir e confiar mais do que tudo ''
> '' seria injusto eu dizer que você não é tudo pra mim, que você não é o amor da minha vida ''
> '' e seria covarde se eu tivesse medo de assumir que te amo e que não quero mais ninguém ''
> '' quer casar comigo? '' perguntei, mostrando a ela os anéis
>ela abriu um sorriso tão largo que fez meu coração explodir
>irmão, tu sabe o que é melhor que ser feliz?
>fazer quem tu ama feliz
>porra, a carinha dela quando goza é tão linda que daria até pra eu parar de come-la só pra apreciar o rostinho dela com aquele sorrisão bobo
>quando eu mostrei os anéis, foi tipo isso
>ela cobriu o rostinho dela com as mãos e começou a chorar baixinho
> eu sorri e cheguei perto dela, sabia que ela ia reagir dessa forma
>''não precisa chorar amor, esse momento é importante pra mim também, eu to aqui contigo''
>ela continuou chorando, até que me empurrou pra longe com força. ela não tinha força o suficiente pra realmente me empurrar pra longe mas eu percebi que ela se esforçou
>'' você não entende, né? '' ela perguntou
>'' nada disso é real, Arthur. nada! ''
>'' olha pra nós dois, arthur! meu pai é rico, é diretor na odebrecht ''
>'' minha mãe é doutora e dá aula em várias faculdades prestigiosas ''
>''meu namorado, o Renan, também é rico e estuda comigo lá na PUC, temos os mesmos amigos, os mesmos contatos, a mesma vibe, tudo!''
>epa
>epa
>NAMORADO?
>QUE PORRA É ESSA, VADIA?
>fiquei encarando a fdp, esperando ela desembuchar
>''só Deus sabe o quanto eu te amo, o quanto eu te quero, tudo que eu quero é fugir e viver minha vida contigo amor''
>''mas não posso''
>''não queria que isso fosse um clichê tipo filme de a dama e o vagabundo, mas você sabe que não daria certo''
>é verdade o que ela dizia
>o coroa dela sempre me olhou atravessado
>a mãe dificilmente dirigia a palavra à mim
>preconceito escrotão mesmo, bagulho feio
>eu cagava, mas sabia que isso incomodava ela
>só não sabia que afetava ela tanto assim
>'' sabe aquele trabalho que você me ajudou a fazer? ''
>'' eu fui escolhida pra apresentar ele num evento estudantil patrocinado pela ONU, em Bruxelas ''
>'' o vôo é amanhã ''
>'' me perdoa ''
> ela levantou e começou a ir embora. '' não faz nada, não faz nada '' eu dizia pra mim mesmo, tentando me controlar
> não deu
>segurei ela pelo braço com tanta força que meus dedos marcaram a pele branca dela
>coloquei o dedo na cara dela
>'' sua filha da puta ''
>'' esse tempo todo tu me deu esperança, tu me fez me apegar a você''
>'' fez eu te amar''
>'' e agora tu faz isso? ''
>'' diz que namora, que não dá pra rolar, que vai pra Bruxelas? ''
>'' me solta Arthur, tá me machucando! '' ela protestou
>'' você tem noção do que você fez com a minha vida? tem noção do que é brincar com o sentimento de alguém? acha que eu sou só mais um brinquedo de criança mimada que você usa até se divertir e joga fora? ''
>'' me esquece Arthur! vai ser melhor para nós dois! ''
>'' presta atenção no que eu vou te dizer, Juliana. se eu te encontrar de novo, eu não vou me controlar. nunca mais apareça na minha frente, e anda na sombra que é mais difícil de eu te encontrar''
>'' ME SOLTA ARTHUR '' ela berrou, fazendo as pessoas em volta olharem para nós
>larguei o braço dela e ela fugiu, em prantos
>dias se passaram
>semanas
>meu rendimento no quartel só caía
>fui realocado para o administrativo
>só a rua podia curar minha depressão, e os caras me mandam pra escritório
>logo eu, policial destaque
>prestes a ser promovido
>agora tava jogando minha carreira no lixo
>odiei tudo, odiei minha vida
>odiei minha mãe, minha única responsabilidade, a única coisa que me impedia de me matar
>só encontrei conforto na bebida
>o vício cobra seu preço mano
>cada vez mais e mais do soldo ia pra bancar a bebida
>as putas
>o cigarro
>os remédios da coroa começaram a faltar
>mas ela nunca reclamou, batalhadora como é
>resistiu de cabeça em pé, sempre
>um dia desses eu saí do serviço com outros dois companheiros
>fomos ainda fardados pra um puteirinho de luxo (tipo termas) ali na região
>eu bancava as putas como se fosse burguês
>mal sabem elas que sou um merda
>essas minas são fodas, riem, dizem que te amam
>mas no fundo sabem que tu é só mais um deprimido que tá ali pra achar conforto
>conforto que elas dão, mediante ao preço delas
>foi quando eu tava levando uma pro quarto que recebi uma ligação de um vizinho
>atendi o telefone já puto
>'' qual foi irmão? ''
>'' sua mãe está no hospital sousa aguiar. vem urgente pra cá '' ele disse, apressadamente, antes de desligar
>o vício cobra seu preço, mano

(Parte IV)
>cheguei no hospital desesperado
>já temendo o pior
>me culpando por tudo isso, eu era um merda e eu sabia
>passei direto pelo meu vizinho e foi logo falar com o médico
>me identifiquei com dificuldade, porque tava me controlando pra não cair no chão chorando
>tudo aquilo era culpa minha, as duas pessoas mais importantes pra mim me abandonariam, eu ia ficar sozinho, e acabar me matando mais cedo ou mais tarde
>o médico me olhou com uma cara séria
>'' sua mãe está em estado grave. já pedimos a transferência pro HCPM onde eles vão poder cuidar dela por mais tempo ''
>'' mas ela precisa urgente de uma cirurgia para reverter seu quadro clínico
>arregalei meus olhos, sem acreditar
>'' ela tá viva, doutor? '' perguntei
>''sim, mas não por muito tempo ''
>'' quanto tempo eu tenho, doutor? ''
>'' até o fim do ano ela precisa estar na mesa de cirurgia, senão o quadro dela vai ficar grave demais para os nossos meios atuais ''
>irmão, naquela hora eu agradeci tanto a Deus que perdi a noção do tempo e do espaço
>ouvi a voz d'Ele saindo pela boca daquele médico
>Ele tava me dando uma segunda chance
>dessa vez eu não ia falhar
>'' quanto seria essa cirurgia, doutor? '' perguntei, decidido a bancar não importa o quanto custasse
> ''nas mãos de um bom cirurgião? coloca aí 85, 95k ''
>o número me acertou em cheio
>eu nunca ia conseguir arrumar essa grana
>nunca pelos meios normais, pelo menos
>perguntei se poderia falar com ela, mas ele disse que ela estava em repouso
>apenas olhei pra ela enquanto ela dormia
>naquele momento, eu já não tinha mais dúvidas
>não consegui voltar pra casa, andei pelas ruas até o amanhecer
>me apresentei no quartel com uma carta na mão
>um pedido de transferência
>para o 41º batalhão
>o encarregado me olhou assustado
>todos conhecíamos a fama do 41
>patrulhar a área mais perigosa da cidade
>complexos do Chapadão e da Pedreira
>apoiar as guarnições da Maré e do Complexo da Penha/Alemão
>o batalhão que mais via combate, só perdendo pro BOPE
>a fama corria rápido
>chegando lá, não demorou pra sentir a diferença
>saindo de um batalhão de zona sul, onde a gente só usa revólver e cacetete
>no 41 é AR-15 e FAL de luneta
>tanto pm equipado lá dentro que tu chega a tremer
>me apresentei ao comandante, como dita o figurino, e depois fui pra minha nova companhia
>''PUTA QUE PARIU NÃO ACREDITO'' alguém gritou um pouco atrás de mim
>olhei pra trás e reconheci a cara de um velho amigo
>filho da puta do Yuri
>esse maluco é um animal
>no CFAP ele tirou 10 em TODOS os testes físicos
>fez estágio no BOPE
>chegou a ser convidado a fazer o curso do BOPE
>promessa da PM
>não fiquei surpreso em ver que já era cabo e tava alocado no GAT (um minibope que alguns batalhões da pm possuem pra casos excepcionais)
>'' o que é que cê veio fazer no Iraque, muleque? '' ele me perguntou com aquela voz meio rouca dele, dando um tapão amigável que quase levou meu braço embora
>'' cansei de ser babá de gringo e de madame, quero brincar de polícia porra! '' respondi, do jeito que ele gosta
>o cara ficou maluco
>'' irmão, quinta vai ter uma operação na Kelson's (uma favelinha lá). vamo barulhar aqueles filha da puta. cola junto do GAT que a gente te leva ''
>'' por mim já fechou ''
>nos despedimos e cada um tomou seu caminho
>o comandante deu uma semana pra eu me ambientar ao batalhão
>dar uma aquecida na carcaça e praticar tiro e umas lutas lá
>quem vem de batalhões tranquilos como o meu geralmente precisava disso
>passei a semana me preparando pro nosso passeio
>chegou quinta de noite
>depois do meu expediente, fui reunir com os caras do GAT
>a rapazeada era boa, uma galera parruda, a maioria morador ou ex morador de favela, sabiam se guiar bem
>coloquei o colete e a touca ninja e peguei meu fuzil
>bora porra
>entramo nas viaturas e partimos pra lá
>chegamos voado na favela, pra aproveitar o efeito surpresa já que não tinhamos caveirão nem cobertura
>as viaturas pararam na barricada dos bandidos e já saímos disparando
>os vagabundos tentaram trocar com a gente, mas nós estávamos dando muito tiro
>confesso que fiquei com um cagaço fudido
>me abriguei e fiquei só aplicando nos marginais
>vi a tropa progredindo e eu ficando pra trás, com medo de tomar bala
>que porra é essa mermão?
>já esqueceu das merdas que tu fez?
>já esqueceu da tua mãe que tá fudida por tua causa?
>bota a cara nessa porra!
>saí do buraco que eu tava e cheguei de peito aberto
>eu e mais dois tomamos de assalto a boca lá e os vagabundos fugiram
>o resto da tropa foi caçar os marginais, e eu fiquei lá
>guarnecendo a boca
>reparei que um vagabundo baleado ainda tava vivo e cheguei nele já com a arma na cara
>'' fala onde tu guarda o dinheiro que eu te mato logo, sem sofrer ''
>o verme fez careta, mas tava muito fraco pra me xingar
>dei um murro na cara dele pra ele sentir o melado descer pela testa dele
>'' vai falar ou vou ter que esculachar? ''
>ele apontou pra uma sacola preta lá
>abri e vi o malote
>várias notas de 100 e 50
>lógico, era muito pouco ainda
>mas já era um bom começo
>antes de conseguir encher os bolsos com as notas, reparei alguém chegando
>era o Yuri, sozinho
>'' que porra é essa Costa? Tu é bandido, mermão? ''
>'' coé Yuri não é nada disso cara ''
>'' nada disso o caralho '' ele disse, vindo pra cima de mim
>'' eu vi tudo parceiro''
>'' te trouxe pra trocar tiro e tu vem roubar vagabundo, qual foi? ''
>vendo que não tinha alternativa, expliquei minha situação pra ele
>falei tudo, desde o começo, na maior sinceridade
>no fundo a gente ainda ouvia tiros, mas com intervalos cada vez maiores
>os poucos bandidos já deviam ter fugido ou se entocado
>Yuri ouviu tudo e refletiu, ficou um bom tempo pnderando minhas palavras
>'' tu vai me entregar? ''perguntei
>ele fez que não com a cabeça
>'' mas nós vamos fazer um trato '' ele respondeu
>'' eu sei que tu é um cara bom, puro e que não tá fazendo isso na maldade. e tu sabe que meu sonho sempre foi ser caveira ''
>'' eu vou requisitar pra tu entrar pra minha unidade, o GAT. e tu vai vir em operação comigo toda semana irmão ''
>'' vai trocar toda semana, com risco de morte. vai ser meu parceiro nessa guerra. vai me ajudar a me preparar pro curso do bope ''
>'' em troca, eu não te deduro, e deixo tu ficar com todo o dinheiro que tu achar. e aí? tu topa? ''
>olhei bem pra cara dele
>Yuri era maluco
>tava cagando pra dinheiro, status, essas merdas
>a tara dele era matar, e o cara era bom nisso
>enfim, que escolha eu tinha?
>apertei a mão dele com firmeza, e olhei dentro dos olhos dele
>''fechado''

(Parte V)
>semanas se passaram
>já era meados de setembro
>nesse intervalo, eu já contabilizava 8 operações
>mais de 50 kilos de cocaína apreendidos
>27 fuzis
>19 menores
>e 7 vagabundos mortos
>além de uma promoção pra cabo
>tava tudo indo bem
>já tinha separado 30k que eu arrecadei nas operações
>não era muito, mas já dava para cobrir a entrada da cirurgia
>mas nada disso se comparava ao que estava por vir
>uma bela manhã de terça, eu, Yuri (que estava mais feliz do que sua mãe vendo um álbum de pirocas angolanas) e mais 2 caras do GAT estávamos na sala de estar do batalhão
>vendo a versão pornô da operação lava-jato
>a operação leva jato
>excelente filme
>quando entra na sala o coronel, comandante do batalhão
>pera
>vocês não entenderam
>quem entrou foi um coronel
>um cara que a gente só vê em solenidade e em retrato no mural
>um cara que a gente não tem autorização nem pra chupar a piroca (tem que ser no mínimo sargento)
>o cara entrou na sala e nós imediatamente nos levantamos
>e ninguém teve a brilhante ideia de desligar a televisão
>o coronel começou a falar enquanto o pornozão rolava solto
>'' essa semana uma mega operação acontecerá na área de nosso batalhão ''
>'' a presença do GAT foi requisitada diretamente pelo secretário de segurança, que está impressionado com a qualidade apresentada pela unidade ''
>'' os senhores irão ocupar o complexo do Chapadão, dando apoio ao BOPE ''
>'' terão a semana inteira para se preparar para isso ''
>o coronel olhou com uma cara de sacana pra tv e disse, antes de sair '' à vontade, cavalheiros ''
>para os que não conhecem, o Complexo do Chapadão é uma favela localizada na zona norte do Rio
>em uma posição estratégica que dá à facção que a dominar a capacidade de lançar ataques em várias frentes simultaneamente
>uma peça chave para as três facções cariocas
>o complexo era dominado atualmente pelo Comando Vermelho, a mais violenta e competitiva das três facções
>eles não se rendiam
>e nós adorávamos
>porque não precisávamos ter pena deles quando nós os matávamos
>a inteligência dizia que haviam pelo menos 70 marginais armados na favela
>liderados por Ferrugem, o bandido bola da vez
>todos queriam ele preso, era o ''queridinho'' da mídia
>'' se a gente pegar esse filho da puta, nossa cara vai estar estampada na mídia, vamos passar na frente dos caveiras porra '' o Yuri dizia
>ele tinha razão, mas nunca que os caveiras iam permitir isso
>mas ele não se importava
>nem nós, nosso foco era outro
>passamos a semana inteira treinando
>dando tiro até cansar o dedo
>correndo ladeira acima, ao meio dia, com colete e fuzil
>esse tipo de brincadeira de soldado
>chegou, finalmente, o grande dia
>eserávamos no pátio do batalhão a chegada dos caveiras
>quando eles chegaram, fizeram a entrada triunfal que eles tanto gostam
>caveirão, fuzil pra caralho, máscara de caveira, farda preta, tudo
>porra, não dá pra negar, os caras são fodas
>no auge do vigor físico, no auge da capacidade
>são uma elite, e gostam de mostrar, tipo aquela mina gostosa que sabe que é gostosa e adora provocar
>ouvimos els nos zoando enquanto embarcávamos nas nossas viaturas
>''isso aí convencional, vão subir a favela de triciclo né?''
>''os caveiras matam, os convencionais carregam os defuntos ''
>'' ei, convencional! pega no meu *** (isso é um gt de família) ''
>não damos uma foda
>no tiroteio vamos ver quem é quem
>Yuri está claramente ouriçado
>eu adoro esse cara, rio muito com as caras que ele faz antes das operações
>sabe quando você tá prestes a comer uma mulher, e o teu sangue esquenta?
>tu fica nervoso, mas ao mesmo tempo quer mostrar o que tem
>é mais ou menos por aí
>o comboio sai em direção ao chapadão
>na calada da noite, as ruas mais ou menos desertas
>os rapazes tão em silêncio
>Yuri senta do meu lado e puxa o assunto
>'' Porra Arthur, hoje é nosso dia irmão. o dia que nós vamos mostrar do que nós somos feitos ''
>ele sabia que eu estava nervoso, e, apesar de não ser muito bom com palavras, veio me ajudar
>'' irmão, tira teus problemas da cabeça. no tiroteio é tu, tua arma, o vagabundo e a arma do vagabundo ''
>'' sabe por que eu gosto tanto de guerra? ''
>'' porque lá não importa quem tu é, o que tu faz. a tua vida faz sentido.
>'' no momento que a bala começa a voar tu descobre o quanto quer viver e o quanto tua vida vale a pena.''
>''tu acha que eu me importo com depressão, com mulher, com conta pra pagar?''
>'' o que eu quero é trocar tiro com meliante, deixar corpo no chão e chegar vivo em casa. sem complicação. sem filosofia. sem nada''
>eu olhei pro muleque com um sorriso. não é que o doente tinha razão?
>'' vamo deitar esses filhas da puta poha '' falei
>não precisou falar mais nada. ele abriu um sorrisão e segurou o fuzil
>logo depois, as viaturas embicaram pra dentro da favela
>os tiros de traçante atingiam os caveirões, que vinham na frente pra dar cobertura
>só rajada de traçante vermelho, parecia coisa de filme americano
>descemos do carro dando tiro já
>nós progrediamos direitinho, igual os caveiras, mas os caras tinham mais estilo
>entravam nos becos berrando
>''O CAPETA CHEGOU''
>''VIEMOS BUSCAR VOCÊS''
>''VOU BEBER O SEU SANGUE''
>até nós nos assustávamos com aquela porra
>mas funcionava
>deixamos a equipe do BOPE enfrentar os pontos fortes dos vagabundos
>mandamos metade do nosso efetivo ficar na contenção e apoiar os caveiras
>a outra metade foi comigo e com o Yuri buscar o dono do morro
>contornamos o tiroteio mais pesado até chegar na casa do filho da puta
>uma mansão pica no meio da favela
>era bem guardada pra cacete, os bandidos mais pesados e bem equipados tavam lá
>mas nós cercamos e deitamos todos eles, não teve jeito
>eu e Yuri fomos os primeiros a invadir a casa, com uma puta piscina linda, tv de não sei quantas polegadas, videogame, a porra toda mermão
>subimos as escadas e palmeamos a casa toda
>só tinha uma porta trancada
>nós olhamos um pro outro e, no trés, eu meti o pé na porta, que caiu dura no chão
>entramos no quarto e achamos o Ferrugem, com uma pistola na mão
>as duas mãos levantadas
>e, atrás dele, a esposa, a filha (devia ter uns 4 anos) e a mãe
>uma senhora, idosa já
>doente
>eu não falei nada, nem o Yuri.
>nós ficamos encarando ele, com a arma apontada pro peito dele.
>ele largou a pistola e não disse nada, pôs as mãos na cabeça e esperou
>talvez ele achasse que nós os mataríamos mas pouparíamos a família dele
>não sei
>só sei que baixei a minha arma e o Yuri fez a mesma coisa
>eu não ia matar um cara na frente da família dele, por mais que ele fosse vagabundo
>de repente, um zunido forte passa do lado da minha orelha
>fico desnorteado e me jogo no chão, junto com o Yuri
> quando levantamos, vimos o que aconteceu.
>um grupo de caveiras entrou no quarto atrás de nós e encheu o Ferrugem de bala
>o cara ainda tava vivo, estribuchando na frente da filha
>a criança toda cagada de sangue
>levantei puto, mas antes que eu pudesse abrir a boca, o Yuri levantou, mais puto ainda
>'' SEUS VIADOS FILHOS DA PUTA ''
>'' VOCÊS TÃO MALUCOS PORRA ''
>'' ELE TINHA SE RENDIDO ''
>os caveiras cagaram, entraram no quarto rindo da nossa cara e já foram imobilizando a família do bandido
>o Yuri não deixou barato
>segurou um deles pelo braço e puxou
>'' Tá dando uma de maluco, caveira? tá achando que tem algum babaca aqui? '
> os caveiras se viraram e enquadraram o Yuri, jogando ele contra a parede
>fui interceder mas um me puxou por trás, pelo pescoço
> '' Vocês dois acham que a gente não sabe o joguinho de vocês?? '' um deles perguntou
>'' um é frustrado, quer ser caveira mas tem medo de não conseguir, então busca atenção da mídia a todo custo.''
>'' O outro é um pobre coitado que fica mendigando o dinheiro de marginal''
>'' Vocês são patéticos '' ele terminou, enquanto levavam a família do cara embora.
>Um caveira veio e empurrou no meu peito uma sacola grande, com mais de 100k temers dentro.
>Olhei para o Yuri, que tinha sentado no chão, e não consegui segurar as lágrimas
>consegui o dinheiro que eu precisava. mas a que custo?

(Parte VI)
>depois do incidente no Chapadão, fomos as celebridades do momento
>o BOPE, que ironia, elogiou a ''ação meritória do GAT, que demonstrou extremo profissionalismo em face do perigo''
>eu e Yuri fomos promovidos a 3º Sgts
>nossas carreiras estavam mais turbinadas que foguete da NASA
>a princípio ele não quis aceitar a promoção, depois da humilhação que sofremos na mão dos caveiras
>mas eu convenci ele que não valia a pena comprar essa briga
>''nossa guerra é outra, irmão. foca nas lutas que a gente pode vencer''
>mais cedo ou mais tarde, o inevitável acabou acontecendo
>eu e Yuri nos matriculamos no curso de operações especiais, do BOPE
>com o dinheiro que eu já tinha arrecadado, consegui pagar a cirurgia da coroa
>graças a Deus (e aos cirurgiões, é claro), deu tudo certo
>o problema tinha sido contido e ela estava estável
>agora era repouso, descansar e não expor ela a estresse
>e em seis meses ela já poderia sair de casa sozinha
>deixei ela no apartamento, sem contar que ia fazer o curso
>ela sabia se virar
>'' você vai longe, arthur. vai fazer grandes coisas '' ela falou, com os olhos marejados
>tudo era motivo pra ela chorar
>''só quem pode impedir você é você mesmo''
>já era próximo de dezembro quando o curso iniciou
>não, não vou entrar em detalhes. todos já viram o filme e tem idéia de como é
>tem porrada sim, tem esculacho sim, tem tudo isso
>é uma merda, mas faz parte
>se fosse pra formar princesa, o curso seria no castelinho da Disney
>eu sofria mas sustentava
>já tava nessa guerra então era melhor mergulhar de cabeça
>mas percebia que o Yuri tava diferente
>muito diferente do que eu imaginei
>meio frio, meio distante
>''não tem mais nada pra mim lá fora irmãozinho '' ele falava
>'' isso aqui é a minha vida ''
>'' para de falar merda, Yuri '' eu respondi
>'' tu tem uma vida toda lá fora ''
>'' e um dia eu sei que tu vai encontrar uma mina que vai te fazer esquecer da guerra '' eu falei, profetizando
>lembre-se disso
>a segunda fase do curso era mais legal
>muito mais técnica e prática, aprendemos diversos procedimentos que teriam nos ajudado muito na época do GAT
>quando nos formamos, já éramos dois monstrinhos
>o BOPE costuma mandar os recém formados pra muita operação, pra aproveitar o gás insano do pós curso
>deixei muito bandido no chão, irmão
>deixei muita mãe chorando
>cheguei em casa sujo de sangue e com cheiro de morte
>a guerra cobra o seu preço, e nem sempre ele é barato
>minha vida passou a ser a guerra, fiz da morte minha religião
>cansei de entrar com o Yuri em favela e trocar tiro, e ver a morte me encarando
>como diz Nietzsche: '' atentai para, quando luta com monstros, não tornar-se a ti mesmo um monstro''
>''pois se tu olhas por muito tempo para dentro do abismo, o abismo também olha para dentro de você''
>já tinha me acostumado com aquilo, virou a minha rotina
>comecei a tratar os convencionais com o mesmo desprezo que os caveiras me tratavam no início
>é foda, irmão. é o sistema
>sem querer ser clichê mas já sendo
>isso nunca vai mudar, sempre vai haver a guerra e aqueles loucos o bastante para entrarem nela
>um belo dia, recebo uma chamada de um número oculto
>atendo e uma voz feminina fala '' me encontra no nosso lugar, no nosso horário ''
>eu conhecia aquela voz
>juliana
>nem fudendo que eu iria encontrar aquela piranha
>mas o Yuri insistiu
>'' vai mano, vai ''
>'' tu precisa de alguém que te ajude a largar isso ''
>matar já tinha virado nosso vício
>agora nós precisávamos de um motivo para viver
>Yuri estava desiludido como eu, mas pelo menos queria me ver bem
>muito a contragosto, fui no forte encontrá-la, no mesmo horário de sempre
>ela demorou a me reconhecer
>''o que houve com você? '' ela perguntou, assustada
>'' eu disse para você não me procurar, juliana ''
>''arthur, eu preciso conversar contigo''
>''nos não temos nada para conversar, juliana''
>''a sua mãe não está bem, arthur''
>nessa hora não me contive
>puxei ela pela blusa e encarei ela
>''ela estaria muito bem se você não tivesse me largado para dar essa buceta suja para o maconheiro do seu namorado, e bancar a turista na europa''
>ela estava visivelmente chocada, mas tentou se controlar
>'' arthur, você está fora de si. todos ao seu redor estão reparando. por favor, deixa eu te ajudar ''
>'' me ajudar? você é a culpa de tudo isso, juliana. tudo isso.''
>'' tudo que eu queria era continuar no meu batalhão, trabalhar tranquilamente e seguir minha carreira em paz ''
>'' mas depois de você minha vida se tornou uma guerra, um caos que só pode ser aplacado mediante a sacrifício de sangue ''
>'' e agora você, que não sabe porra nenhuma sobre nada, aparece aqui se achando a gostosona e dizendo que vai me ajudar? ''
>percebo que os olhos dela estão escorrendo lágrimas
>'' me desculpa pelo que eu fiz, amor '' ela falou, com a voz embargada
>'' eu nunca imaginei que você fosse se tornar nisso que você se tornou ''
>'' mas eu voltei, e dessa vez quero fazer as coisas certas. você errou e eu também, tudo que eu te peço é uma chance de fazermos a coisa certa dessa vez''
>virei a cara, me recusando a olhar pra vagabunda e ouvir o que ela tinha a dizer
>'' arthur '' ela falou, quase sussurrando. '' eu estou grávida ''
> naquela hora meu mundo desabou, irmão
>filha da puta
>meu primeiro impulso foi de negar e de xinga-la de todos os nomes que eu conhecia
>mas no fundo, no fundo mesmo, eu sabia que o filho era meu
>respirei fundo e me controlei
>'' juliana, da última vez que nos vimos você disse que nós deveríamos nos afastar, para o meu próprio bem ''
>''hoje sou eu que digo isso para você. não chegue perto de mim se não quiser sofrer comigo ''
>'' essa guerra não é sua, é minha. eu decidi entrar e eu vou sair por conta própria ''
>'' vou bancar a criança e todas as necessidades dela ''
>'' mas entre eu e você, já não pode rolar mais nada ''
>'' me desculpe '' eu terminei, levantando e indo embora, ouvindo os soluços dela ao fundo
>a depressão bateu forte dessa vez, mas eu tinha meu remédio
>fui à caça, fui à luta
>mais operação, mais operação
>chegava em casa ensanguentado, por vezes até baleado
>nem o Yuri mais conseguia me acompanhar
>fiz meu nome no batalhão, me chamavam de ''super homem''
>segundo eles, eu botava a cara no tiroteio, como se não tivesse medo de tomar tiro
>mas eu realmente não tinha
>na verdade, seria um favor
>foi numa quinta feira que a juliana me ligou novamente
>atendi a contragosto e ouvi a voz dela me chamando com urgência para o HCPM
>sem entender nada, cheguei lá
>fui recebido por ela, consternada, e por um médico
>''o senhor é o sargento Arthur Costa da Silva? '' perguntou o doutor
>'' sou eu '' respondi
>''lamento informar, mas a mãe do senhor faleceu hoje às 22:48. meus pêsames '' ele disse, se retirando antes que eu pudesse pedir mais informações
>naquela hora meu mundo desabou
>tudo ficou escuro pra mim
>a Juliana conseguiu me segurar e me arrastar para um banco
>eu estava tonto, desnorteado
>''por quê? não pode ser... '' eu me perguntava, com uma voz fraca
>'' eu dei todos os remédios, paguei pela cirurgia, o que pode ter acontecido? '' eu falava comigo mesmo
>tentando me convencer que aquilo não podia ser real
>simplesmente não podia
>''sua mãe estava depressiva, arthur'' a juliana me respondeu
>''ela viu no que o filho estava se tornando. você era tudo pra ela ''
>'' sua motivação deixou de ser o bem estar dela para ser a guerra e a morte ''
>'' ela não suportou perder você dessa forma ''
>pela primeira vez em anos, chorei
>mas chorei muito, mano
>naquela hora, eu sabia que tudo tinha perdido sentido pra mim
>o último fio que me ligava à terra, à vida, havia partido
>me deixado
>juliana me levou pra casa, cuidou de mim
>ficou comigo
>não deixou eu estourar minha cabeça naquela noite, nem na seguinte, nem na outra
>mal sabia ela que eu já estava morto por dentro
>ela se esforçava, fazia tudo pra me ver feliz
>me acordava com todo o carinho do mundo, lia comigo, escolhia filmes para vermos
>seria uma ótima esposa e com certeza será uma excelente mãe
>vai ser pro nosso filho como a minha mãe foi pra mim
>e infelizmente a criança vai crescer sem pai, igual a mim
>porque apesar de tudo, eu estava morto por dentro
>e tudo que a juliana fazia por mim só postergava o inevitável
>separei uma quantia considerável para ela, conseguiria bancar a criança por um bom tempo
>como se a juliana precisasse do meu dinheiro, enfim
>sexta feira era dia de operação
>morro da pedreira, favela perigosa
>subi com a equipe alpha, um time experiente
>ninguém ali era moleque
>e como nós dizemos, não é autorizado ao caveira tomar tiro
>somos proibidos de morrer
>caguei
>pedi para ir com a alpha para não ir com o Yuri, que é da bravo
>somos irmãos de guerra, mas não queria que ele me visse tombando
>pode parecer bobeira, mas no fim nós nos preocupamos mais com o que os outros pensam de nós
>subi o morro igual um maluco
>gritando
>barulhando
>os bandidos fugiam alucinados, como se vissem na minha imagem o próprio capeta
>deixei vários corpos caídos, enquanto procurava alguém que fosse digno de me matar
>aqueles bandidões com cara de marra foram os primeiros a correr
>eu já xingava a Deus, perguntando se era alguma maldição que tinha sobre mim
>se Ele estava me punindo, fazendo da terra o meu inferno
>foi aí que senti um calor incontrolável no meu corpo, como se me queimasse por dentro
>um tiro certeiro me atingiu debaixo do braço, na axila
>olhei para o lado para ver quem foi o valente que me alvejou
>vi um moleque, de 16 anos no máximo
>apavorado
>com medo de morrer
>sem saber o que fazia ali
>sorri, satisfeito, e caí no chão
>o meu sangue morno já ensopava minha farda, e quando meus companheiros me encontraram eu já estava delirando
>quem diria que, depois de tudo, seria um moleque que me mataria
>ia virar considerado na favela, um bandido perigoso
>ia matar muitos até que um valente o derrubasse
>ia manter meu legado
>manter viva essa guerra
>tirar muitas vidas em nome da morte
>minha missão nessa terra foi cumprida
>matar e morrer para que outros possam viver
>e quando meus olhos fecharam, pensei na minha mãe, e como tudo poderia ter sido diferente se eu e juliana não fôssemos tão bobos, naqueles encontros de sexta à tarde.
>agora já era, irmão
>me perdoa, mãe
>me perdoa filho
>me perdoa Yuri
>me perdoa amor

(Epílogo)

>o enterro do sargento Costa foi feito com toda a pompa militar que ele merecia
>discurso dos seus comandantes no BOPE, no 41º e no 23º
>homenagens da tropa
>coroas de flores no Jardim da Saudade
>entre a multidão, o sargento Yuri encontra uma moça
>segura-a pelo braço e pergunta '' você deve ser a juliana? ''
>ela faz que sim, com a cabeça, limpando o rosto das lágrimas
>o sargento não diz nada. não precisava
>arthur foi mais que seu amigo, foi seu irmão
>e lhe deixava uma última missão após partir
>cuidar de sua mulher e de seu filho
>o yuri abraçou a juliana com carinho, segurando ela firme
>e falou calmamente para a jovem
>''agora tudo vai ser diferente juliana''
>os dois choravam enquanto se abraçavam
>''agora tudo vai ficar bem''





"Não sou super homem e nem tenho peito de aço, mas não vou ficar choramingando se tiver que lutar,
porque a lei da selva é matar ou morrer, E ISSO NINGUÉM TIRA DO HOMEM!" 


 As mulheres podem estarem crescendo cada vez mais em algumas áreas que antes era dominada por nós, mas isso, isso ninguém tira do homem. 


deixo vcs com mais esse texto para encorajá-los a assumirem posição de verdadeiros homens. 


"Eu não tenho alma de guerreiro, não passo de um covarde!" 
- Todo homem tem dentro de si uma alma de guerreiro, vc só precisa encontrá-la! Eu já fui como vc, quando era rapaz e tinha medo de tudo, medo de morrer, de ser capturado, mas um dia nós temos de aprender a ser homens, o bem estar da sociedade e daqueles que amamos depende disso! Eu aprendi a gostar da batalha, queria estar nela por mais cruel que ela fosse. Esse é o melhor tipo de guerreiro que existe, aquele que ama a batalha, esse é o guerreiro mais temido pelos inimigos, aquele que provoca medo só pelo olhar. Não sei viver sem isso. Isso é orgulho, é reputação, entendeu??? Viva como um covarde, fuja e vc morrerá velho, em cima da sua cama daqui alguns anos, mas não terá deixado o seu legado. A morte no campo de batalha, a serviço daquilo que vc acredita, é muto mais digna! Vc não é covarde, apenas ainda não encontrou o guerreiro corajoso que existe dentro de vc! 


Sugiro que assistam: Até o ultimo homem, sniper americano, o resgate do soldado ryan, brigada 49. Filmes de homem porra. 
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cold
Neófito
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Re: [TEXTO] Cavalheiros fiquem com essa obra prima.

em 4/7/2017, 00:00
Reputação da mensagem: 100% (1 votos)
Texto simplesmente FODA PORRA!! 
Fiquei meio desnorteado com essa história, me considerado um cara sem alma e sem sentimentos pois não me emociono por nada nesse mundo, mais esse texto QUASE me fez escorrer um suor hétero no final. A vida dos guerreiros de farda é muito foda, sem palavras mano, só agradeço por trazer esse texto que é uma das grandes realidades que se passa na cabeça de muitos guerreiros por ai, em especial a dos militares...

+1

SemperViri

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"Jamais deixe a sua 
felicidade depender do que
 não depende de você."
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Gabriel Paz
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Re: [TEXTO] Cavalheiros fiquem com essa obra prima.

em 4/7/2017, 18:55
@cold escreveu:Texto simplesmente FODA PORRA!! 
Fiquei meio desnorteado com essa história, me considerado um cara sem alma e sem sentimentos pois não me emociono por nada nesse mundo, mais esse texto QUASE me fez escorrer um suor hétero no final. A vida dos guerreiros de farda é muito foda, sem palavras mano, só agradeço por trazer esse texto que é uma das grandes realidades que se passa na cabeça de muitos guerreiros por ai, em especial a dos militares...

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SemperViri
Com certeza brother!
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Fernando_maluco
Soldado
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Re: [TEXTO] Cavalheiros fiquem com essa obra prima.

em 5/7/2017, 09:54
Muito bom esse texto ...

Hahaha  ... eu já trabalhei no 23º Bpm, escolhi por que era mais tranquilo, conversava com os aposentados nas praças, ajudava as velhas e os velhinhos a atravessar a rua, paquerava as Babás passeando com as criancinhas na Gávea (ninguém é de ferro), tinha bom trato com os comerciantes.

A vida policial é estressante, para tudo chamam a PMERJ, desde  playboys fumando maconha na porta do prédio, briga de travestis (já dei eletrochoque em um), perturbação da lei do silêncio, até casos complexos como denúncias de bocas de fumo e assaltos com reféns.

Um dos grandes problemas é a falta de amparo psicológico para o Policial, o estresse diário transforma o homem em um louco, toda semana a PMERJ perde gente por problemas psiquiátricos e de saúde, homens sem condições de defender a sociedade.

A realidade em batalhões como o 9º, o 41º, 22º é realidade de guerra, confrontos constantes, e sua capacidade psicológica provada aos níveis mais severos.

Ninguém hoje sai aposentado da PMERJ sem ao menos desenvolver algum distúrbio psicológico, físico, etc.
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Gabriel Paz
MENSAGENS : 12

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Excelente visão de quem vivenciou de perto.

em 5/7/2017, 19:12
@Fernando_maluco escreveu:Muito bom esse texto ...

Hahaha  ... eu já trabalhei no 23º Bpm, escolhi por que era mais tranquilo, conversava com os aposentados nas praças, ajudava as velhas e os velhinhos a atravessar a rua, paquerava as Babás passeando com as criancinhas na Gávea (ninguém é de ferro), tinha bom trato com os comerciantes.

A vida policial é estressante, para tudo chamam a PMERJ, desde  playboys fumando maconha na porta do prédio, briga de travestis (já dei eletrochoque em um), perturbação da lei do silêncio, até casos complexos como denúncias de bocas de fumo e assaltos com reféns.

Um dos grandes problemas é a falta de amparo psicológico para o Policial, o estresse diário transforma o homem em um louco, toda semana a PMERJ perde gente por problemas psiquiátricos e de saúde, homens sem condições de defender a sociedade.

A realidade em batalhões como o 9º, o 41º, 22º é realidade de guerra, confrontos constantes, e sua capacidade psicológica provada aos níveis mais severos.

Ninguém hoje sai aposentado da PMERJ sem ao menos desenvolver algum distúrbio psicológico, físico, etc.
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Diego Leão
MENSAGENS : 42

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Re: [TEXTO] Cavalheiros fiquem com essa obra prima.

em 6/7/2017, 15:05
Irmão, realmente um texto/relato muito bom... daqueles que te fazem refletir sobre tudo e te dão uma motivação a mais. Grato pelo conteúdo.
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Gabriel Paz
MENSAGENS : 12

REPUTAÇÃO : 10

Muito realista esse conteúdo.

em 13/7/2017, 07:37
@Diego Leão escreveu:Irmão, realmente um texto/relato muito bom... daqueles que te fazem refletir sobre tudo e te dão uma motivação a mais. Grato pelo conteúdo.
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Um ex-beta
MENSAGENS : 13

REPUTAÇÃO : 3

Re: [TEXTO] Cavalheiros fiquem com essa obra prima.

em 16/7/2017, 11:01
Texto realmente incrível. E profundo.
Realmente nos faz parar tudo para refletirmos.
Agora uma pergunta: Essa história é totalmente fictícia ou foi inspirada em uma história real? Apesar de já saber que esse tipo de coisa realmente acontece...
Obrigado por compartilhar isso conosco.


Todo o meu respeito aos policiais militares de bem do Brasil, sobretudo aos do Rio de Janeiro.


Semper Viri!

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" - Mas como saberei se terminei a minha missão?
  - Se você respira, é porque ela ainda não terminou. "
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Gabriel Paz
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REPUTAÇÃO : 10

Pelo o que eu sei é ficticia e tem até a versão do vagabundo matou ele, mas não achei.

em 16/7/2017, 14:26
Reputação da mensagem: 100% (1 votos)
@Um ex-beta escreveu:Texto realmente incrível. E profundo.
Realmente nos faz parar tudo para refletirmos.
Agora uma pergunta: Essa história é totalmente fictícia ou foi inspirada em uma história real? Apesar de já saber que esse tipo de coisa realmente acontece...
Obrigado por compartilhar isso conosco.


Todo o meu respeito aos policiais militares de bem do Brasil, sobretudo aos do Rio de Janeiro.


Semper Viri!
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Fernando_maluco
Soldado
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Re: [TEXTO] Cavalheiros fiquem com essa obra prima.

em 16/7/2017, 22:19
Reputação da mensagem: 100% (1 votos)
@Um ex-beta escreveu:Texto realmente incrível. E profundo.
Realmente nos faz parar tudo para refletirmos.
Agora uma pergunta: Essa história é totalmente fictícia ou foi inspirada em uma história real? Apesar de já saber que esse tipo de coisa realmente acontece...
Obrigado por compartilhar isso conosco.


Todo o meu respeito aos policiais militares de bem do Brasil, sobretudo aos do Rio de Janeiro.


Semper Viri!

A história é fictícia, mas soa bem real ... A fidelidade da narrativa é latente

Quem escreveu, com certeza é do ramo ou conhece muito bem.
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Scapucini
Neófito
MENSAGENS : 63

REPUTAÇÃO : 5

Re: [TEXTO] Cavalheiros fiquem com essa obra prima.

em 19/7/2017, 12:12
Que texto irmão.

Sem palavras para descreve-lo irei ler ele mais algumas vezes.

______________________________________________________

Test your might.
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Hendrick
Soldado
MENSAGENS : 295

REPUTAÇÃO : 105

Re: [TEXTO] Cavalheiros fiquem com essa obra prima.

em 21/7/2017, 11:43
Que texto foda mano, obrigado por compartilhar

______________________________________________________

"Aprendi de fato o que significa  fracassado, aquele que permanece sempre preso no passado."

"Antes de julgar, pense no lugar que está, você será lembrado pelas regras que quebrar."

"Improvisar, adaptar-se e superar. "


"Somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos pra mudar o que somos."


_Semper Viri_
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Re: [TEXTO] Cavalheiros fiquem com essa obra prima.

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